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Mostrando postagens de maio, 2015

Dor rasgada da saudade

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Sobre os olhos da dor rasgada da saudade Flutua hematomas inesquecíveis de outrora Que por engano, num momento de fraqueza foi plantada E regada, ao longo dos dias, por hora. Seduzida pela  emoção   não  cantada. Que ontem foi confundida com a de agora São questões que ardem e mata Se não freadas, vão viver ai afora. Na inquietude do  desejo descabido Que se empenha em não querer, por querer É mais forte que um instante infinito O coração se esmaga, e faz muito doer. Mas para que tanta mágoa nesse recinto? Quantos golpes afundados no ponto crer Se vive sem o visível, o incerto vindo. Mas sem amor não da pra se viver. Sem me aventurar nas pegadas de amor Encontro-me inacabada, de portas abertas. A neutralidade me consome com ardor Deixo a natureza entrar na hora certa. O ponto final já protagoniza a cor Para começar com reforços a novas brechas. Tirou-me do relento e me beneficiou Não sei p...

Pretérito "imperfeito" saudadizando

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É quando o céu está azul de emoção,  E as nuvens estão pratas e lilases. Quando o brilho das estrelas mostram risos, mesmo em uma imensa distância. É quando o sorriso de uma criança dança e irradia raios luminosos. Como a doçura do canto dos pássaros, Que seduzem ouvidos sensíveis. É quando os ouvidos sabem sentir. É como conversar com as plantas e trocar energia, mesmo que invisivelmente. Como beijar o vento e se extasiar de emoção. Sentir a imensidão interior sem conhecer o que faz o coração ter razão, Sem ter entendimento real do que está acontecendo. "É como o vento, a gente não vê, mas a gente sente" É como um soneto de Camões, ardente e enaltecendo o amor. Como uma sinfonia rica e enfeitada de sentidos de Beethoven. Como uma pintura feminina do italiano Modigliani. Como a voz de Bono, que seduz com   “With or without you” E Urs Buhler quando canta “Alone”divinamente bem. Como a dança sublimada que faz descalçar os pés. Como o barulho d...

Papel amassado

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Se amassou a última esperança que tinha O véu foi arrancada de vez do lugar O vago caminho ainda dança devagar O último suspiro fugiu com o luar. O velho choro trancou-se com o dia Sussurrou lamentos taciturnos pelo ar O maltrato do coração trazido pelo olhar Cerrava a mente, e a emoção explodia. Não havia tédio, e sim um vendaval As noites eram tempestades inúmeras Não sobrava tempo pra pesar coisa alguma. O mar revolto trabalhava os sentimentos A suave ventania acalmou a ilusão Pois o erro insiste, é burrice ou tentação?

Uma eterna ação de escolhas

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O sol que brilha preguiçoso Emana um véu, resplandecente Mas, em porções nulas de aparecer Sob debaixo de um teto raivoso Não chora com lágrimas, grita sangue! Por não conseguir ser quem é Diante de um coração gélido, e  Um sofrimento aceitável, harmonioso! A verdade não se esconde atrás da parede Os sentimentos surgem, não são inventados. As lagrimas de dor adormecem, mas não somem! Puras, e de resquícios de amor ignorado. Mas, o novo dia, sempre está disposto a vir O Sol dá seu espetáculo todos os dias As estrelas brilham, não importa o que aconteça. Não importa se o céu está nublado. Algumas tardes podem parecer nuas Sem sintonia com a matéria ou a carne. Porém, há um sorriso louco que aparece. Porque a vida é feita de efêmeros instantes e tudo passa. O hoje existe e somente é isso que há Por causas não ganhas do passado Mesmo que a angústia queira morar no lugar errado Não teria raízes para crescer, com encan...

Soneto aprendiz

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  O vento balança meus cabelos quietos E me leva pelo tempo, em segundos Para perto do meu amor, meu grande amor E vivo entre alguns pensamentos profundos. Minhas lágrimas externas já não existem Pois a saudade fez secar uma por uma Se foi suicídio? Eu já não sei dizer Não tenho registro de tentativa nenhuma Talvez os pássaros saibam as respostas Ouviram indagações que explanei pra natureza O que deslumbra, me dá calma, e derruba a tristeza Só podemos dar o que temos, pelo coração E eu, a imperfeição, me faço de aprendiz Me coloco à mercê e pego meu giz.

Consciência de partes inconscientes

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É algo maior, interno e externo Já não sei ao certo o que é. Algo que me tranca, me tira do ar. Me desliga da tomada por minutos. Já não sou mais a de antes, estou de passagem Estou num mar sem canoa, na superfície Numa chuva fina que molha a garganta. O que me faz ficar sem voz. Quero sair de onde estou. Quero ir pra qualquer outro lugar. Porém, já me sinto bem agora. Sinto que estou em transição. Sinto que algo esta se modificando em mim. Compreendo o processo disso tudo.                                                Mas não o que está acontecendo. Quero deixar que isso continue do modo certo. Sei que essa sensação vai passar. Que esses nós vão se desprender, aos poucos E eu poderei estar em liberdade logo. O frio que enlaça a madrugada não me amedronta mais. O escuro dos meus desejos já tem luzes. Pois lem...

Amor de plástico

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O amor é um complexo intangível É um sentimento de adoração A porta aberta mas não liberada Ardência nos olhos, golpes no coração. O amor é o ferro que não se parte Por mais que se solde o máximo possível É jogo de arte, infindáveis recordações É potes de gelo sem emoções, de grau e nível. O amor é uma fonte  inacabável É doutrina costumeira incessante É confronto arriscado, instigante O amor é bomba que não explode É fogo, superficial, que não chega a queimar São formas abstratas do verbo amar.

Fonologicamente

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A noite não tinge a noite Soa como um sino defronte Derrama sabedoria lunar Do véu que esconde o que tem. Debruço-me sobre a luz Que se esvai definitivamente São escuras vogais e consoantes A noite pedante pede o som do além. Quaisquer que sejam as vozes Não importa a nasalidade Se não se ignora a vaidade Que enlaçam nas ligações a sós. Média é a solução inquieta Rumo-me na direção do som Não quero saber de amores de etiqueta É trabalho para vários tipos de nós. Classifico consoantes e vogais Como forma de parâmetro à realidade Mesmo que sejam intensas formas reais Não se restringe somente as banais. Centraliza-se o infinito no alto Justifica o baixo, o raro apraz Não importa mais nada São somente sons, e nada mais.